Muitos dos meus alunos e ex-alunos têm me perguntado: Professora, em quem você vai votar? Fico comovida ao pensar que, para muitas pessoas com quem me relacionei durante minha vida profissional, de alguma maneira, essa resposta ainda seja importante. Todos sabem que nunca ocupei cargos públicos, (a não ser na diretoria do Sindicato dos Professores), não sendo filiada a nenhum partido político; mas é impossível para mim, observar despreocupadamente este segundo turno das eleições municipais de Belo Horizonte. É claro que os arranjos feitos para o primeiro turno não foram aqueles que gostaríamos de ter, e que as propostas apresentadas por um candidato poderiam tranquilamente ser encampadas por qualquer outro. Neste segundo turno, entretanto, as coisas, pelo menos para mim, estão mais definidas: vocês são muito jovens para se lembrarem do tempo em que os salários dos funcionários municipais atrasavam, que obras de vulto não existiam na cidade e que figuras soturnas rondavam os cofres da Prefeitura. Honra seja feita ao PT, nos governos de Patrus, Célio de Castro e Pimentel, a palavra “corrupção” deixou de fazer parte das conversas sobre administração municipal em nossa cidade. A perspectiva de retornarmos a uma situação superada há dezesseis anos me apavora. Como a maioria do eleitorado de Belo Horizonte, eu conhecia muito pouco da figura de Márcio Lacerda: há alguns anos, em uma festa, ouvi curiosa, a história de um empresário “maluco”, (segundo o narrador do episódio), que havia dividido metade do dinheiro obtido com a venda de uma empresa, entre seus empregados. Em 2004/2005, meu filho que cursava uma pós-graduação na fundação Dom Cabral, contava das discussões de uma colega sua, “patricinha” na aparência, com os colegas, discussões nas quais a garota se mostrava sensível e bem informada em relação às questões sociais, apesar de chegar à escola a bordo de um Audi. “Essa menina tem ‘berço’, dizia ele.”Ela não olha só para o próprio umbigo”. O empresário “maluco” e o pai da garota politizada é o Márcio Lacerda. Só recentemente vim a saber.
Mas isso não é razão para se votar em uma pessoa. Muito bem. Quais seriam então as razões de escolha nesta eleição? A postura ideológica? Conversei com muita gente em quem confio e me afirmaram que as convicções políticas do Márcio têm raízes profundas, plantadas lá nos anos 60 e 70, e que, na sua trajetória de empresário, não houve contradição ou negação desse passado. As alianças políticas? Muito bem: no dia da eleição para o primeiro turno, ao serem publicados os resultados eleitorais, fiquei observando os dois candidatos que se aproximavam dos jornalistas para serem entrevistados: Márcio, ladeado por Pimentel e Aécio, o outro candidato...bem...prefiro não comentar.Não é por acaso que Pimentel é considerado o melhor prefeito do Brasil e um dos melhores do mundo: ele começou trabalhando no setor financeiro da Prefeitura, com Patrus e Célio e sabe que sem controle e sem ética, o dinheiro público vai embora, e sem dinheiro, as obras não são feitas, os salários não são pagos em dia , as políticas sociais não se concretizam. “Isso é um arranjo do Aécio!” dizem muitos “Ele quer ser presidente da República”! E se for realmente um arranjo, qual o problema? As urnas estarão prontas, em 2010, para confirmar ou não o desejo dele. Até lá, muita água vai rolar debaixo da ponte e enquanto isso, eu não gostaria de ver a nossa prefeitura retrocedendo a situações superadas há dezesseis anos. Também não me contem (não tenho mais idade para emoções fortes) se souberem que parte do eleitorado belo-horizontino votou pelas mesmas razões que muitos votaram em Collor (“tão jovem e tão lindo!”) ou em Jânio (“parece tanto com a gente...”). Prefeitura é coisa séria, talvez seja a esfera de poder que mais nos afeta de forma direta. Infelizmente, não dá para brincar. Voto Márcio.
Mas isso não é razão para se votar em uma pessoa. Muito bem. Quais seriam então as razões de escolha nesta eleição? A postura ideológica? Conversei com muita gente em quem confio e me afirmaram que as convicções políticas do Márcio têm raízes profundas, plantadas lá nos anos 60 e 70, e que, na sua trajetória de empresário, não houve contradição ou negação desse passado. As alianças políticas? Muito bem: no dia da eleição para o primeiro turno, ao serem publicados os resultados eleitorais, fiquei observando os dois candidatos que se aproximavam dos jornalistas para serem entrevistados: Márcio, ladeado por Pimentel e Aécio, o outro candidato...bem...prefiro não comentar.Não é por acaso que Pimentel é considerado o melhor prefeito do Brasil e um dos melhores do mundo: ele começou trabalhando no setor financeiro da Prefeitura, com Patrus e Célio e sabe que sem controle e sem ética, o dinheiro público vai embora, e sem dinheiro, as obras não são feitas, os salários não são pagos em dia , as políticas sociais não se concretizam. “Isso é um arranjo do Aécio!” dizem muitos “Ele quer ser presidente da República”! E se for realmente um arranjo, qual o problema? As urnas estarão prontas, em 2010, para confirmar ou não o desejo dele. Até lá, muita água vai rolar debaixo da ponte e enquanto isso, eu não gostaria de ver a nossa prefeitura retrocedendo a situações superadas há dezesseis anos. Também não me contem (não tenho mais idade para emoções fortes) se souberem que parte do eleitorado belo-horizontino votou pelas mesmas razões que muitos votaram em Collor (“tão jovem e tão lindo!”) ou em Jânio (“parece tanto com a gente...”). Prefeitura é coisa séria, talvez seja a esfera de poder que mais nos afeta de forma direta. Infelizmente, não dá para brincar. Voto Márcio.

8 comentários:
Parabéns pela justa e bela análise!
Concordo! BH deve essa mudança ao PT mesmo...mas, p/ ser até menos "sectária"(palavrinha chata) não tenho dificuldade em reconhecer que a qualidade da administração municipal começou a mudar c/ Azeredo...não tenho ligação pessoal nem profissional c/ nenhum desses prefeitos (Azeredo, Patrus, Célio, Pimentel)...
muito menos c/ Aécio...mas sei da importância deles...p/ BH, p/ MG...vou mais longe, Pimentel e Aécio estão bem ACIMA de seus próprios partidos...enxergam mais longe...
nada a ver c/ "serem despidos de ambições pessoais", vamos deixar de babaquices...
estamos desacostumados , em BH, dos Bejanis...isso nos parecia ser maldição de juizforano..lamentável já é o fato de estarmos vivendo essa ameaça...só a votação que o sujeito teve já é lamentável...Que Deus se apiede de nós..até dos juizforanos Ele já se apiedou...Beijos
você é uma otima professora, e sua analise foi muito interessante.
infelizmente eu nao concordo. Nao acho justificavel votar em um candidato porque ele faz parte de um partido ou outro.
cada um com seu modo de ver as coisas , nao é mesmo?
Beijos
Nossa, como o Quintão é falso, fantoche, maquiado. Uma vergonha, uma tristeza para a política brasileira...
Realmente, excelente análise. Torna-se notório como é fundamental conversar com pessoas bem informadas como a Eliane para que poçamos formar nossas opiniões embasadas em informações sólidas que advém de pessoas com muito mais experiência do que nós, jovens, que estamos por tão pouco tempo participando do quadro político de nossa cidade.
Discordo do seu comentário sobre os candidatos à prefeitura de Belo Horizonte. Acho que foi um típico arranjo da república velha esta candidatura de Márcio Lacerda, como se diz " um poste " lançado pelas lideranças ( governador e prefeito )e empurrado para aprovação da população. Acho que o eleitorado de Belo Horizonte deu uma demonstração de independencia ao rejeitar uma candidatura imposta. Como funcionário municipal tenho restrições ao prefeito Fernando Pimentel, que em sua administração tem se mostrado avesso ao diálogo e com uma postura autoritária. Para mim o PT teria plenas condições de eleger o sucessor do atual prefeito se não tivesse se dividido pela ambição de poder de Pimentel
Em relação ao candidato Márcio Lacerda há que se divulgar a tentativa de compra de apoio de vereadores por R$ 30.ooo,oo conforme denúncia do vereador Antônio Pinheiro. Está havendo tambem uso da máquina pública na eleição, com gerentes de postos de saúde sendo pressionados a trabalhar pela candidatura de Lacerda. Isso não seria crime eleitoral ?
É isso aí!
Vamos fazer um lista de podres de quintão e de Lacerda...
Vamos ver quem tem mais podres... Vamos ver se Lacerda tem podres
Eu aposto de LONGE que o quintão perde feio.
Quintão votou contra passe livre para deficientes físicos.
Programa de governo de Quintão promete o benefício, que ele negou em parecer dado quando era vereador.
Fonte: site Jornal Estado de Minas
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